Estive dentro da realidade. Uma realidade que pasma o sofrimento da própria espécie humana. Uma realidade que sacode a lucidez e deixa o juízo repleto da sensibilidade humana mas apenas para quem é humano que mesmo dentro do pasto político segue o caminho da liberdade. Nesse pasto em que todos tendem a obedecer a voz e as regras do grande pastor. Mas que obediência? Afugentar longinquamente a verdade dessa realidade e vestir as máscaras que enterram a ciência e deixam zombar ideologias…apenas para lhes deixar o estômago repleto de banquetes.
É real o que o povo vive na gamela da vida. Nessa penumbra que se perambula de lês a lês, sacudindo as florestas para disputar a fruta silvestre com os animais selvagens. Disputar os pântanos, as lagoas, os rios, até charcos para se ter uma gota de água - quando não chove o drama é maior para encontrar água, pois, muitas lagoas secam. Em alguns sítios onde tem fontenárias estão avariadas. Mas há sítios onde nunca ouviram falar de fontenária. E quando chove alguns sítios a população corre para os charcos para lavar roupa ou mesmo encher bidões para servir de consumo. E já se imaginou que acontece quando se regista uma seca prolongada?
São dezenas de quilómetros que em muitos cantos deste país, lá onde a rádio não chega, lá onde o “xapa 100”não chega, lá onde a manteiga não chega, lá onde o frango não chega, lá onde chega nenhum sinal da rede móvel, etc., o povo rasga dezenas de quilómetros á busca de tudo que nada encontra. É uma verdade negada mas uma realidade patente: milhares de famílias em estado primitivo vivendo plena miséria, uma miséria repleta de miséria no pasmo de nada senão suas machambas secadas pela seca. Lá onde sequer o extensionista agrário chega.
Os serviços de saúde (unidades sanitárias de referência) em algumas zonas (Funhalouro e Mabote) distam entre 40 a 120 km de algumas aldeias. Mas algum esforço é feito para que mensalmente uma brigada móvel de saúde se desloque a essas povoações para uma assistência á população. E como é que são feitas as urgências? Haverá espaço para isso? Só os deuses nos podem dizer.
Já os serviços de educação, as crianças chegam a marchar entre 10 a 20 km á procura de uma escola com salas de aula totalmente precárias – no interior dos distritos de Mabote e Funhalouro muitas salas de aulas são sombras de árvores. Em alguns locais a população ainda consegue dar jeito a partir do material local: salas com tetos mas sem paredes ou com paredes mas sem tetos. As casas dos professores estão em péssimas condições comparadas com algumas capoeiras nas zonas urbanas. Não há carteiras nas salas de aulas senão troncos estatelados ou ainda pendurados em cima doutros que roçam os rabos das crianças. Enquanto isso a motosserra, o machado, a catana, o tractor e o camião desbravam e saqueiam sem escrúpulos a madeira para destinos do além.
Não há comunicação de rede móvel. As unidades sanitárias do interior é que têm rádios que podem comunicar-se com a sede distrital ou com a direcção provincial de saúde. A rádio funciona através de um sistema de energia solar. O sinal da emissora nacional em muitos sítios não chega. No entanto, em alguns sítios, ainda conseguem sintonizar emissoras sul-africanas.
Não há transporte de passageiros. O burro e a bicicleta são os meios de transporte que rasgam dezenas de quilómetros para servir de ambulância ou transporte de mercadoria. Em algumas povoações as populações pernoitam uma a duas noites para chegar a sede do distrito. E em alguns casos essa distância é para ir a uma unidade sanitária mais próxima.
Em alguns sítios os mercados distam entre 5 a 20km, exemplo: Ribwi a Zimane, 26km (no interior do distrito de Mabote). Às vezes percorrem esses quilómetros para comprar um fósforo ou um quilo de açúcar. Alguns ainda percorrem para tomar um dom barril ou tentação caso queiram descansar a pura aguardente ou outras bebidas de origem tradicional. As casas estão bem distantes duma das outras. Há zonas onde o vizinho chega a distar-se entre 2 a 5km.
E o registo de nascimento? Muitas crianças até mesmo adultos não têm um documento de identificação. O documento mais comum entre os adultos é o cartão do eleitor. E para as acrianças - aquelas que as mães conseguem dar parto numa unidade sanitária apenas tem a ficha de registo pré natal. Em algumas situações as crianças chegam a perder a oportunidade escolar por falta de um documento (cédula pessoal, certidão de nascimento, B.I., etc.).
E o emprego? Poucos são os funcionários do estado nas diversas áreas de intervenção pública. O resto está no sector informal senão desempregados. Já aos que auferem salário no final do mês enfrentam um dilema para ver suas migalhas em suas mãos., pois tem que confiar terceiros para que isso seja possível: o cartão é entregue ao colega ou a uma outra pessoa que se julgar de “confiança” – não que seja de confiança mas que rume ao destino onde se pode encontrar uma instituição bancária para efectuar transacções. Nesse sentido, deixa de ser um cartão particular/privado e passa a ser público uma vez que pode em menos tempo passar de muitos utilizadores. (com destaque no interior e na vila sede do distrito de Mabote e Funhalouro). Nisso tem se acompanhado relatos de que algumas pessoas que são confiadas para efectuar transacções fazem primeiro operações para seus bolsos…
No interior alguns professores conformados com a realidade, regam constantemente as gargantas com álcool onde as mãos disputam o giz e o copo. E o resto da população depende do corte de estacas de simbire onde são vendidas entre 8,00Mts a 15,00Mts-dependendo da zona ou seja, quanto mais para o interior mais barato é. Alguns vão se integrando aos trabalhos eventuais no corte de toros de madeira ou em pequenas serrações. Alguns ainda se dedicam a caça. Algumas populações das povoações das vias que dão acesso as vilas distritais dedicam-se ao corte de carvão. Nesses locais ainda é possível ver crianças, mulheres e homens pendurados com galinhas na mão em troca de um determinado valor. Tudo isso para ter algum para suprir o básico.
Já nas vilas de Mabote e Funhalouro a diversão é diária. Há maior poluição sonora. E o público alvo são crianças e adolescentes. Toca-se em barracas ou em quiosques. Lá aprende-se tudo: álcool, nicotina e sexo. A energia é fornecida através de grupos geradores (das 18horas até 21horas). Em Mabote é difícil ver e comer verduras de folhas de feijão nhemba, folhas de abóbora, matapa, etc.
Os produtos predominantes nos dois distritos são: castanha de caju; madeira: chanfuta, umbila, simbire, sândalo, etc. Em algumas zonas tem serrações montadas que fazem o processamento da madeira. Mas em muitos casos os toros de madeira viajam para as cidades de Maputo, Joanesburgo e até países asiáticos como a china.
As infra-estruturas nas vilas são de péssima qualidade. As únicas com aspecto diferente são os palácios dos administradores, os centros de saúde e alguns edifícios escolares. O que resta não obedece nenhum padrão de arquitectura. As barracas perfilam desordenadamente pelo centro da vila.
São essas as condições que muitos de nós irmãos desta pérola do Índico vivemos. E os outros irmãos???
A escravidão nunca cessará no universo. O que muda é a forma como se escraviza dentro das dinámicas sociais e políticas...
segunda-feira, 1 de março de 2010
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Carta para Samora Machel (#1)
Prezado Camarada Samora Machel;
Não te escrevo por termos sido companheiros de trincheira na altura da chuva das balas e de obuses no mato onde salvou quem salvou; nem por termos sido camaradas na altura do aperto do sinto aquando da sua governação; e nem por ter sido seu opositor aquando da distribuição da riqueza o que incitou a guerra civil dos dezasseis anos. Apenas sou um simples cidadão que te resgato de alguns arquivos do passado. Sou filho de pais bastardos de pobreza. Nasci anos depois de teres tornado Moçambique, num Moçambique independente do jugo colonial. E quando a minha inocência de pensamento entre abria-se das cortinas da infância, no som das vozes das crianças deambulando sem escola fixa, sem tecto fixo, até sem lareira fixa para cozer no mínimo uma panela de matapa sem amendoim para entreter o som do estômago, a notícia da sua morte chegou-me veemente naquela manhã de dezanove de Outubro de mil novecentos e oitenta e seis…
Camarada Samora, como disse, viajei em alguns arquivos, perseguindo alguns passos do teu pensamento; resultados de tuas acções; chamas das tuas intervenções… E como amigo fiel de quase todo seu pensamento, hoje escrevo-te acerca de um dos assuntos que eras veementemente implacável, a corrupção.
A corrupção no aparelho do estado tomou conta de todos os quadros, do guarda ao director, do director aos teus sucessores. É como se fosse uma pandemia… em que todos ficam contaminados mesmo com medidas preventivas. Podia ainda comparar-se com uma tempestade que varre todos e tudo, deixando apenas ruínas.
A situação é grave. Olhando para os camaradas que contigo militaram e contigo geriram os problemas do país, hoje são obesos, ricos e até mal-educados que desrespeitam a dignidade do povo. Pois falam alto nos ouvidos do povo, que eles têm direito de enriquecer porque libertaram este belo Moçambique. Camarada Samora, eu estou tão chocado com estes desmandos. Você morreu pobre por servir o mesmo povo, não foi? Hoje já não é o dirigente que vive os problemas do povo e traça estratégias de intervenção. É o povo que vive problemas dos dirigentes e oferece seu sangue e suor para resolve-los. O povo tornou-se num simples instrumento propício que os dirigentes usam para ficarem estrondosamente ricos. Não digo que as coisas deveriam ser como ontem. Como sabes as sociedades não são estáticas. Mas eles deviam ter um pouco de vergonha. Ou no mínimo vestirem o casaco humano em prol da humanidade, pois, é o povo que lhes legitima esse poder. Espero que um dia esse povo se coloque no devido lugar e faça justiça necessária para salvar a sua dignidade e respeito pelos direitos humanos.
Por causa dessa corrupção, cantada mais que combatida ou seja cantada implantando-se sofisticadamente, as populações pegaram veementemente na moda de linchamentos substituindo as execuções sumárias… Pode-se considerar que perderam confiança dos serviços prestados pela polícia da Republica de Moçambique, como avança o professor Carlos Serra nas suas intervenções sobre o fenómeno de linchamentos. Só para teres uma ideia clara do grau de eficiência desta polícia: quase todos oficiais, comandantes, generais, etc., são demasiadamente obesos. Até há casos de simples guardas da segurança pública que também herdaram a obesidade. No seu tempo, esses homens não seriam xiconhocas? A serem destituídos em plenos olhares populares?
No seu tempo, esses homens eram dotados de uma forte disciplina física, mais forte que o criminoso. E não hoje que tudo joga contrário: polícia obesa, polícia criminosa, polícia faminta - percorrendo quilómetros com sapatos empenados e com estômagos furados como a sola do próprio sapato. Mas há uma coisa interessante. Apesar de obesos correm, correm que nunca cansam. Que sempre quando correm, a vitória almeja-se! Mas que vitória? A vitória da mola embrulhada nos bolsos invisíveis que solta os criminosos e encarcera a corrupção cada vez corrupta nas celas do comando, da cadeia civil ou mesmo da BO.
A corrupção continua. E a luta não se faz sentir. Nas pescas por exemplo, tem super barcos sem licenças a capturar mariscos em cada onda que se abate sobre o mar. Homens do além pescando o pescado do povo nessas belas baías e praias onde o simples moçambicano já não espreita o nariz para buscar a frescura que lhe pertence. São ordens superiores que ordenam embrulhados no perfume do dólar. No seu tempo, esses criminosos pagavam uma moeda cara, não é?
A corrupção soma e segue. E a luta enfraquece na moeda do metical ou do dólar. Nas florestas, as madeiras tombam sem licenças, entram em contentores, atravessam estradas e navegam pelos mares e oceanos aos continentes do além. E o povo pertença desses recursos, dorme na melodia de combate contra a pobreza, combate contra a corrupção. Enquanto a corrupção, essa corrupção, corrompe até a própria corrupção. E a pobreza do povo, essa pobreza cantada, torna-se uma mina para ajudas externas que só vêm enriquecer cada vez mais os ricos que nunca se cansam de cantar: luta contra a pobreza absoluta; luta contra a corrupção…enquanto isso erguem a riqueza, uma riqueza para minorias. E uma pobreza para maioria, nós o povo!
A corrupção acelera a velocidade. E o gatilho da arma encrava frequentemente. Nas obras, as obras ficam obras até se transformarem em ruínas. E o dinheiro, dinheiro de impostos do povo, some com os empreiteiros que penduram as obras em obras de arte do estado. E algumas daquelas que são concluídas, o preço do seu custo normal vêm a quadruplicar! Mas as obras das casas, não das casas, das mansões dos…nunca perdem um minuto de interrupção, aceleram-se do acelerador do metical e gratuitamente deslizam da força do homem sem salário, porque se tem salário, nunca alimenta-se condignamente mais que o cão do patrão.
A corrupção agudiza-se. E as chamas da luta, abrandam… As compras do estado, são compras mais que compras. Exemplo, se para mim um carro custa cinco mil meticais, o mesmo custa para o estado quinze mil meticais…
Camarada Samora, por hoje fico por aqui. Não é possível trazer-lhe tudo sobre a corrupção neste pais que libertaste. Como sabes, o país é grande… Apenas quis lhe dar de uma forma informal, um cheirinho sobre esta situação. Espero que a tua alma fervorosa, morta pelos gananciosos que nunca serão revelados enquanto continuar este regime, descanse em paz. E que os seus pensamentos, sejam a luz inspiradora para os jovens adestrados pelas mordomias da vida. Nesta vida que só andam a reboque. Reboque de ideologias…
Na minha próxima carta, irei-lhe trazer um outro assunto.
Do seu admirador secreto
Inhambane, 15 de Novembro de 2009
A Luta Continua!
Não te escrevo por termos sido companheiros de trincheira na altura da chuva das balas e de obuses no mato onde salvou quem salvou; nem por termos sido camaradas na altura do aperto do sinto aquando da sua governação; e nem por ter sido seu opositor aquando da distribuição da riqueza o que incitou a guerra civil dos dezasseis anos. Apenas sou um simples cidadão que te resgato de alguns arquivos do passado. Sou filho de pais bastardos de pobreza. Nasci anos depois de teres tornado Moçambique, num Moçambique independente do jugo colonial. E quando a minha inocência de pensamento entre abria-se das cortinas da infância, no som das vozes das crianças deambulando sem escola fixa, sem tecto fixo, até sem lareira fixa para cozer no mínimo uma panela de matapa sem amendoim para entreter o som do estômago, a notícia da sua morte chegou-me veemente naquela manhã de dezanove de Outubro de mil novecentos e oitenta e seis…
Camarada Samora, como disse, viajei em alguns arquivos, perseguindo alguns passos do teu pensamento; resultados de tuas acções; chamas das tuas intervenções… E como amigo fiel de quase todo seu pensamento, hoje escrevo-te acerca de um dos assuntos que eras veementemente implacável, a corrupção.
A corrupção no aparelho do estado tomou conta de todos os quadros, do guarda ao director, do director aos teus sucessores. É como se fosse uma pandemia… em que todos ficam contaminados mesmo com medidas preventivas. Podia ainda comparar-se com uma tempestade que varre todos e tudo, deixando apenas ruínas.
A situação é grave. Olhando para os camaradas que contigo militaram e contigo geriram os problemas do país, hoje são obesos, ricos e até mal-educados que desrespeitam a dignidade do povo. Pois falam alto nos ouvidos do povo, que eles têm direito de enriquecer porque libertaram este belo Moçambique. Camarada Samora, eu estou tão chocado com estes desmandos. Você morreu pobre por servir o mesmo povo, não foi? Hoje já não é o dirigente que vive os problemas do povo e traça estratégias de intervenção. É o povo que vive problemas dos dirigentes e oferece seu sangue e suor para resolve-los. O povo tornou-se num simples instrumento propício que os dirigentes usam para ficarem estrondosamente ricos. Não digo que as coisas deveriam ser como ontem. Como sabes as sociedades não são estáticas. Mas eles deviam ter um pouco de vergonha. Ou no mínimo vestirem o casaco humano em prol da humanidade, pois, é o povo que lhes legitima esse poder. Espero que um dia esse povo se coloque no devido lugar e faça justiça necessária para salvar a sua dignidade e respeito pelos direitos humanos.
Por causa dessa corrupção, cantada mais que combatida ou seja cantada implantando-se sofisticadamente, as populações pegaram veementemente na moda de linchamentos substituindo as execuções sumárias… Pode-se considerar que perderam confiança dos serviços prestados pela polícia da Republica de Moçambique, como avança o professor Carlos Serra nas suas intervenções sobre o fenómeno de linchamentos. Só para teres uma ideia clara do grau de eficiência desta polícia: quase todos oficiais, comandantes, generais, etc., são demasiadamente obesos. Até há casos de simples guardas da segurança pública que também herdaram a obesidade. No seu tempo, esses homens não seriam xiconhocas? A serem destituídos em plenos olhares populares?
No seu tempo, esses homens eram dotados de uma forte disciplina física, mais forte que o criminoso. E não hoje que tudo joga contrário: polícia obesa, polícia criminosa, polícia faminta - percorrendo quilómetros com sapatos empenados e com estômagos furados como a sola do próprio sapato. Mas há uma coisa interessante. Apesar de obesos correm, correm que nunca cansam. Que sempre quando correm, a vitória almeja-se! Mas que vitória? A vitória da mola embrulhada nos bolsos invisíveis que solta os criminosos e encarcera a corrupção cada vez corrupta nas celas do comando, da cadeia civil ou mesmo da BO.
A corrupção continua. E a luta não se faz sentir. Nas pescas por exemplo, tem super barcos sem licenças a capturar mariscos em cada onda que se abate sobre o mar. Homens do além pescando o pescado do povo nessas belas baías e praias onde o simples moçambicano já não espreita o nariz para buscar a frescura que lhe pertence. São ordens superiores que ordenam embrulhados no perfume do dólar. No seu tempo, esses criminosos pagavam uma moeda cara, não é?
A corrupção soma e segue. E a luta enfraquece na moeda do metical ou do dólar. Nas florestas, as madeiras tombam sem licenças, entram em contentores, atravessam estradas e navegam pelos mares e oceanos aos continentes do além. E o povo pertença desses recursos, dorme na melodia de combate contra a pobreza, combate contra a corrupção. Enquanto a corrupção, essa corrupção, corrompe até a própria corrupção. E a pobreza do povo, essa pobreza cantada, torna-se uma mina para ajudas externas que só vêm enriquecer cada vez mais os ricos que nunca se cansam de cantar: luta contra a pobreza absoluta; luta contra a corrupção…enquanto isso erguem a riqueza, uma riqueza para minorias. E uma pobreza para maioria, nós o povo!
A corrupção acelera a velocidade. E o gatilho da arma encrava frequentemente. Nas obras, as obras ficam obras até se transformarem em ruínas. E o dinheiro, dinheiro de impostos do povo, some com os empreiteiros que penduram as obras em obras de arte do estado. E algumas daquelas que são concluídas, o preço do seu custo normal vêm a quadruplicar! Mas as obras das casas, não das casas, das mansões dos…nunca perdem um minuto de interrupção, aceleram-se do acelerador do metical e gratuitamente deslizam da força do homem sem salário, porque se tem salário, nunca alimenta-se condignamente mais que o cão do patrão.
A corrupção agudiza-se. E as chamas da luta, abrandam… As compras do estado, são compras mais que compras. Exemplo, se para mim um carro custa cinco mil meticais, o mesmo custa para o estado quinze mil meticais…
Camarada Samora, por hoje fico por aqui. Não é possível trazer-lhe tudo sobre a corrupção neste pais que libertaste. Como sabes, o país é grande… Apenas quis lhe dar de uma forma informal, um cheirinho sobre esta situação. Espero que a tua alma fervorosa, morta pelos gananciosos que nunca serão revelados enquanto continuar este regime, descanse em paz. E que os seus pensamentos, sejam a luz inspiradora para os jovens adestrados pelas mordomias da vida. Nesta vida que só andam a reboque. Reboque de ideologias…
Na minha próxima carta, irei-lhe trazer um outro assunto.
Do seu admirador secreto
Inhambane, 15 de Novembro de 2009
A Luta Continua!
Subscrever:
Mensagens (Atom)